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A arte de ser feliz com o Flamengo!



Eu nunca fui muito chegado a listas.

Nunca me seduziu essa compulsão por hierarquizar tudo: o melhor time, a melhor era, o ano mais mágico. Comparar 2025 com 2019, 1981 com qualquer outro… pra mim isso sempre soou como uma tentativa pobre de organizar algo que é, por natureza, íntimo demais.

Cada época tem um cheiro próprio.
Um som específico.
Um tipo de alegria e um tipo de dor que não se repetem.
Os disparos da memória afetiva não obedecem à lógica — obedecem à vida. Prefiro viver o Flamengo assim: presente. Sem ansiedade de decidir quando fui mais feliz. No futebol, felicidade quase sempre só faz sentido depois que passa.

Sou terceira geração de flamenguistas. O Flamengo não entrou na minha vida como escolha racional; entrou como herança. Daquelas que você não questiona, só carrega. Passei a acompanhar mais de perto por volta dos 14 anos, quando o jogo deixa de ser só festa e começa a virar identidade.

Ouvi como quem escuta mitologia as histórias de 1978 a 1983. Vi, já com olhos atentos, os altos e baixos de 1986 a 1992. Aprendi cedo que torcer pro Flamengo também é aprender a lidar com frustração. Vivi o tri de 1999 a 2001 em cima do nosso vice‑eterno com aquele gosto agridoce de quem comemora sabendo que o caos nunca está longe. Depois vieram os anos duros do início do século: elencos improváveis, campanhas irregulares, a sensação constante de que o tamanho do clube não cabia no que se via em campo.

Ainda assim, a gente ficava.
Porque ser Flamengo nunca foi só sobre ganhar.

Os anos de 2013 a 2018 foram sofridos, desconfortáveis, às vezes humilhantes — mas foram base. Alicerce. Sofrimento que organiza a casa por dentro. A partir de 2019, a retomada deixou de ser promessa e virou realidade. Não apenas pelos títulos, mas pela reconexão. Pela identidade recuperada. Por olhar pro time e reconhecer o clube ali.

O que eu sei, com tranquilidade absoluta, é que o Flamengo me trouxe muito mais alegrias do que tristezas. Raiva? Algumas vezes, claro. Mas qual relacionamento que importa de verdade não passa por isso? Amor sem atrito não cria história. E o Flamengo nunca foi algo que eu consumi — foi algo que eu vivi.

Nossa família agora inicia a quinta geração de flamenguistas. Talvez seja uma geração que veja vitórias mais concentradas do que a minha viu. Mas o que eu espero, de verdade, não é só que ganhe mais. É que saiba celebrar mais. Que não vire prisioneira daquele torcedor chato que só se satisfaz com 100% nesse relacionamento. Futebol não é contrato de performance perfeita — é convivência.

Em 2025, eu canto sem constrangimento algum:
“Estou feliz com o Flamengo do Filipe Luís.”
Não veio o bi do Mundial? Paciência. Pior pra lista dos campeões mundiais. Minha memória afetiva não depende de planilha, ranking ou selo oficial.

Porque o Flamengo sempre coube mais em gente do que em títulos.
E por isso aquele verso segue atual, quase como uma lei social:

Eu sou Flamengo e não desfaço de ninguém
Mas em cinco brasileiros, seis fãs o Flamengo tem

Se você é Flamengo, curta.
Curta cada vitória. Cada campeonato. Vista, sem culpa, toda a soberba permitida, a arrogância circunstancial e a felicidade escancarada de fazer parte da Nação. Porque somos exatamente isso: uma Nação que tem um time. Muito além de sermos apenas uma torcida.

E quando perder — porque vai perder — dê de ombros.
Espere.
A próxima comemoração vem.
E, como a história tem mostrado, vem cada vez com mais frequência.

Talvez por isso eu nunca queira escolher um “melhor Flamengo”.
Cada fase me formou de um jeito. Cada uma deixou marcas diferentes. Todas, sem exceção, me ensinaram que torcer não é comparar eras — é permanecer.

Eu sigo aqui.
Sem listas.
Sem rankings.
Com memória, afeto e presença.

Eu sou Flamengo.

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