Pular para o conteúdo principal

Crise Inventada, Contradição Armada e a Alegria de Ser Rubro-Negro



Em tempos de timelines inflamadas, qualquer tropeço vira tragédia e todo jogo vira motivo pra fritura pública. E aqui eu já deixo claro: deploro qualquer tentativa de fritar o Filipe Luís neste momento.

Há quem queira plantar crise no departamento de futebol por causa de contratações — e embora eu mesmo ache que o elenco precisa de reforços em algumas posições (isso é evidente), tem uma incoerência no ar que não dá pra ignorar.

De um lado, tem gente cobrando desempenho como se tivéssemos “O MELHOR ELENCO DO BRASIL”. Do outro, a mesma galera parece estar arrancando as calcinhas pela cabeça exigindo "MUITAS CONTRATAÇÕES". Ué? Ou temos o melhor elenco e não estamos jogando o que deveríamos, ou não temos elenco à altura e precisamos urgentemente reforçar. As duas coisas ao mesmo tempo... é difícil engolir.

Aliás, piora quando percebo que muita gente afirma as duas coisas com a mesma convicção. Como se fosse possível exigir um futebol de 2019 e, ao mesmo tempo, um pacotão de reforços como se estivéssemos com elenco de meio de tabela.

Dito isso, e reconhecendo que meu diploma de tática é meramente obtido nas mesas de bar e nas arquibancadas da vida, ouso dizer que tanto no jogo contra o Santos quanto no de ontem, faltou profundidade na área e alguém com capacidade de ajudar na construção pelo meio. Nada de novo. Mas ainda assim incômodo de ver.

Tenho então três recados, não como especialista tático, mas como alguém que já viu o suficiente pra saber que futebol se joga com inteligência e humildade:

1. Pedro, deixa de ser menino.

Com quase 30 anos, não dá mais pra se esconder no talento. Ou você corre e se esforça como exige a camisa que veste, ou vai fazer companhia ao Gerson no Zenit. Fim.

2. Filipinho, tira o ranço da chuteira.

Contra defesas fechadas, precisamos de profundidade. Ponto. Isso não se resolve com raiva ou má vontade. Se o jogo exige amplitude, não adianta insistir no toque curto e previsível. Não é questão de querer ou não — é questão de entregar o que o time precisa.

3. Torcedor mimado, acorda.

Se você vive reclamando porque “o Flamengo não te dá o que você quer”, talvez esteja na hora de rever sua relação com o clube. Porque a alegria de ser rubro-negro você já recebeu ao nascer. O Flamengo não te deve nada — é você quem deve entregar amor, apoio e exigência com sabedoria.


O time tem muito o que melhorar? Sem dúvida.
Precisamos reforços? Sim.
Mas que isso não sirva de combustível pra discursos rasos e campanhas de desgaste interno.

O Flamengo segue líder.
E como sempre, quem não entende isso... que vá reclamar no VAR da vida.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Frases sobre o Mengão

" Ser Flamengo e ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram(...)É comungar a humildade com o rei eterno de cada um."-  Arthur da Távola   "Torcida chata e nojenta essa do Flamengo. Se julgam superiores em tudo.... mas com razão, não é ?" -  Bussunda     "Meu orgulho de ser rubro-negro começa pelo orgulho de ser carioca. Não dá para negar que a paisagem mais bonita e mais emocionante da Cidade Maravilhosa é a entrada no Maracanã no dia de uma decisão do Mengão. O contraste da escuridão do túnel que leva às arquibancadas, ou o silêncio dos elevadores sociais para o Maracanã lotado e brilhando em vermelho e preto é de arrepiar qualquer torcedor. Continua pelo orgulho de ser brasileiro e fazer parte da maior torcida do mundo, do time que foi mais vezes campeão brasileiro, no país do futebol. Não preciso nem falar de Zico e companhia, do fato de todos os astros internacionais que nos visitam fazerem questão de usar o manto sag...

BYE, BYE SO LONG VERY WELL

Pois é, como dizia uma canção meio brega do Guilherme Arantes: "Adeus também foi feito prá se dizer". Bye, bye R10, saiba que não deixará nenhuma grande lembrança. Hoje o dia foi de sub-notícias e sub-comentários sobre a saída do dentuço da gávea. Aliás a conclusão do espetáculo circense comandado pela honorável Paty começou ontem a noite quando o Cascão resolveu demonstrar ter um poder que não tem diante de alguns torcedores em Teresina. Em seguida foi desmentido pelo Zinho, que em seguida foi desmentido pelo Ronaldinho. Sei não mas, Coutinho, Zinho, Ronaldinho, é muito inho juntinho. MInha opinião é que o time não ficará nem melhor nem pior sem o Ronaldinho, mesmo porque ele não estava entrando em campo mesmo. O que não entendo é a confusão criada entre defensores dele, os que detestam ele, e os que detestam a diretoria independente da decisão tomada. Difícil achar que haverá qualquer racionalidade numa discussão...

A arte de ser feliz com o Flamengo!

Eu nunca fui muito chegado a listas. Nunca me seduziu essa compulsão por hierarquizar tudo: o melhor time, a melhor era, o ano mais mágico. Comparar 2025 com 2019, 1981 com qualquer outro… pra mim isso sempre soou como uma tentativa pobre de organizar algo que é, por natureza, íntimo demais. Cada época tem um cheiro próprio. Um som específico. Um tipo de alegria e um tipo de dor que não se repetem. Os disparos da memória afetiva não obedecem à lógica — obedecem à vida. Prefiro viver o Flamengo assim: presente. Sem ansiedade de decidir quando fui mais feliz. No futebol, felicidade quase sempre só faz sentido depois que passa. Sou terceira geração de flamenguistas. O Flamengo não entrou na minha vida como escolha racional; entrou como herança. Daquelas que você não questiona, só carrega. Passei a acompanhar mais de perto por volta dos 14 anos, quando o jogo deixa de ser só festa e começa a virar identidade. Ouvi como quem escuta mitologia as histórias de 1978 a 1983. Vi, já com olhos ate...